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06 julho 2011

Última Canção

Uma alegria a atravessar a pena,
Enquanto a pena se desaembacia
e a luz deixa a negrura, que era
tão invisível. Mas transparecia.
Uma alegria que pesa.
Sobe, difícil, pela paz. E brilha
a despedir-se do amor da orquestra
indo a um silêncio que quase ainda trilha.
Depois, quando a alegria cessa de estar sujeita
ao peso da atmosfera, sobe ainda.
E deixa a base do silêncio aberta
para a pena impregnar sua alegria.

Fernando Echevarría in Antologia

03 julho 2011

Vem, Às Vezes, Tão Limpo o Pensamento

Vem, às vezes, tão limpo o pensamento
que se orvalha de timbre. E o perímetro
requinta o peso com que cresce dentro
a agradação de fruto e de sentido.

Mais que entranhável enriquecimento
o ouro é esfera densa de equilíbrio
que a antiguidade arredondou ao centro
da paciência, da paz, do olvido.

E, quase só de si surdindo fruto,
do volume alimenta o sítio estrito
que adensa de arredores, qual se o mundo
soubesse a língua de ouro em que é escrito.
E a esfera o vento alisa. E é profundo
estar tão clara a linha do infinito.

Fernando Echevarría in Antologia

19 junho 2011

Quando entrava um amigo, Abria a casa

Quando entrava um amigo, abria a casa
a sua roda de estremecimento.
A uva, atónita, quase que antecipava
o surto de alegria que, por dentro,
ia adensando. Tenteava,
para que a curva de caldeamento
viesse da frescura. E fosse clara
como vai sendo
a nitidez da luz que paira
sobre a assembleia, no momento
que se elucida de taças
e do perfume de as vermos.
A essa hora ia-se a roda alta
da luz movendo;
e cada amigo nela eternizava
a curva e a figura de estar sendo.

Fernando Echevarría in Antologia