daughter,
i will name my heart
after you.
both having been born
in the body,
both being my
dug deep roots.
my grace givers.
oxygen providers.
safe keepers.
i would not exist without you.
ans so i name it after all
that you are
and
will be,
little one.
i name it: resilient.
i name it: courageous.
i name it: fearless.
i name it: love.
Alison Malee in The Day is Ready for You
Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade. Sophia de Mello Breyner
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16 março 2019
31 janeiro 2012
O Livro sobre Nada
Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra
— Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra
— Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.
Manoel de Barros in "O Livro sobre Nada"
14 setembro 2011
O Ramo Roubado
Entraremos na noite
Para roubar
Um ramo florido.
Passaremos o muro,
Nas trevas do jardim alheio,
Duas sombras na sombra.
O inverno ainda não se foi
E a macieira aparece
De súbito convertida
Em cascata de estrelas perfumadas.
Entraremos na noite
Até ao seu trémulo firmamento,
E as tuas mãos pequenas e as minhas
Roubarão as estrelas.
E, secretamente,
Em nossa casa,
Na noite e na sombra,
Com teus passos do perfume
E com pés estrelados
O corpo claro da primavera.
Pablo Neruda
Para roubar
Um ramo florido.
Passaremos o muro,
Nas trevas do jardim alheio,
Duas sombras na sombra.
O inverno ainda não se foi
E a macieira aparece
De súbito convertida
Em cascata de estrelas perfumadas.
Entraremos na noite
Até ao seu trémulo firmamento,
E as tuas mãos pequenas e as minhas
Roubarão as estrelas.
E, secretamente,
Em nossa casa,
Na noite e na sombra,
Com teus passos do perfume
E com pés estrelados
O corpo claro da primavera.
Pablo Neruda
28 março 2011
Entre os teus lábios
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
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