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05 dezembro 2011

Pétalas sobre a cabeça

Cada dia
pela manhã cruzamos o pátio da escola já
as pétalas de camélia são
esboroadas
pelo chão. Toda a vez as transportamos
(cálidas e inocentes)
atrasadas sob um arco onde tudo é
já passado
(dedos levando-me a mão pela arte
do crescimento)
meus ossos a querer ficar efebos
daquele instante. Não tardará chegaremos
a tempo de as ver cair. Então
não serei eu
a seu lado.

João Luís Barreto Guimarães in Poesia Reunida (Quetzal)

30 novembro 2011

15 de Fevereiro

"Alguém que chega da rua abre a porta do Café. Perscruta todo o salão, primeiro a ala esquerda, depois o espaço à direita, e eu copio-lhe o gesto na procura de um sorriso, alguém que das mesas lhe acene e o convide a sentar.
Nada disso acontece. Ninguém lhe acende no rosto o esgar da alegria, e apetece nesse instante ser eu o seu conhecido, convidá-lo a sentar para que a sua vinda aqui não resulte de todo perdida.
Repete agora a busca invertendo o sentido, procurando uma ausência nas mesas lotadas de gente. Consulta depois o relógio. Decide-se por partir. Vejo-o voltar as costas à multidão do Café, e é com o olhar que o levo pela mão até à porta. Provável que não procurasse, neste arquipélago de mesas, mais do que a ilha vazia. Que apenas pretendesse um espaço menos ferido, para pousar as suas feridas à procura de si próprio."

João Luís Barreto Guimarães in Poesia Reunida